Pirataria

Este é um assunto altamente delicado e controvertido. Como em várias áreas onde há a comercialização do bem intelectual, o software sofre a ação da pirataria. E com os grandes avanços alavancados pela informática, esta não só facilita a pirataria do software, como também de música, literatura, etc.

A pirataria sempre foi um palco de calorosas discussões, muitas vezes apaixonadas. De um lado os fornecedores se queixando dos altos prejuízos e de outro os consumidores, dos altos preços. De um lado, os fornecedores argumentam que se não houvesse a pirataria os preços seriam mais baixos; de outro, os consumidores afirmando que se os preços fossem mais baixos não haveria pirataria.

Para os profissionais de informática, principalmente, as mudanças são tão bruscas e constantes que seria financeiramente impossível manterem-se atualizados com a atual realidade dos preços do software. Uma ironia é que muitos profissionais (acredito a maioria) tomam conhecimento ou se especializam numa tecnologia através de software pirata - qual o sucesso de um sistema sem pessoal preparado para manuseá-lo (ou de que adiantaria o som se não houvesse ninguém para ouví-lo)? Quem compraria uma tecnologia para a qual houvesse poucos profissionais capacitados, gerando com isso uma mão-de-obra cara? A pirataria dissemina, é um marketing.

O ideal não seria dizer que a pirataria é um marketing - o ideal seria dizer que os fornecedores estão trabalhando em cima dos seus preços para disseminar o produto e eliminar a pirataria.

Um grande problema é que o mundo é globo (círculo) vicioso - muitos dos usuários que se queixam dos altos preços são fornecedores (prestam serviços ou vendem bens) que gostam de puxar para cima seus preços.

Como o mundo é regido por leis e cada um só vê o seu lado, existem os Conselhos, as Associações e etc. Como cada um exige os seus direitos, as empresas e profissionais que vendem bens intelectuais não são diferentes. Por isso a pirataria é crime.

Na informática, além da pirataria "caseira", onde há a troca de programas entre amigos e familiares, e de comerciantes de microcomputadores, que distribuem cópias piratas junto com o equipamento para aumentar o seu valor real, e de desenvolvedores que fazem algumas alterações em programas de terceiros para comercializá-los, há piratas que reproduzem programas em larga escala (pricipalmente após a popularização do CDR).

A indústria de software tentou várias fórmulas para tentar reduzir a pirataria. Muitas tentaram proteger seus programas através do "registro do usuário": só recebe suporte por telefone o usuário que devolver o cartão que acompanha o manual do proprietário - essa prática não trouxe grades resultados pois suporte não é um diferencial para todos os usuários, além de muitas vezes o suporte ser de má qualidade. Uma outra tentativa foi a proteção por software e depois a proteção por hardware (Hard Lock ou Dongle) - também não foram tão eficazes pois, apesar de não ser uma capacidade de todos, hackers conseguem burlar estas proteções e, além disso, a proteção por hardware encarece o software.

O Brasil vem sofrendo fortes pressões internas e externas para o combate a pirataria. A Lei de Software foi modernizada e houve um aumento na fiscalização. Contudo o problema não está perto de ser resolvido.

Para resolver o problema, tem que ser fazer um trabalho de conscientização, que se resume principalmente em diminuir a demanda. A sociedade tem que ser conscientizada de que não vale a pena consumir esse produto de crime.

A sociedade precisa fazer o seguinte questionamento: para quem a compra de produtos falsificados traz vantagem e para quem ela traz prejuízo?

Dentre as principais causas da pirataria no Brasil pode-se citar: a globalização da economia, a posição geográfica do Brasil, a crise do emprego formal, o avanço da tecnologia, a impunidade, a lentidão da justiça.

O principal fator, realmente, é a impunidade. O país tem boas leis, mas não são aplicadas. Para pirata vale a pena entrar no crime. Ele tem um alto lucro, risco nenhum no negócio, você vê vendendo na luz do dia em qualquer esquina.

A pirataria de programas de computador cresceu junto com a febre do brasileiro por informática, internet, e o mundo virtual de jogos eletrônicos. Cópias pirateadas dos programas e jogos mais populares - e também dos mais sofisticados - são oferecidos por camelôs a preços que não pagariam a embalagem do produto original.

Mais da metade dos computadores em operação no Brasil rodam softwares não licenciados - piratas. Os fabricantes de software afirmam que 36 mil novos empregos poderiam ser criados se o índice de pirataria no Brasil caísse pela metade.

Muitos afirmam que a pirataria é um mal social, que pune a sociedade, que pune a indústria e pune o emprego, e pune o estado, pois impostos não são recolhidos.

Cuidado: comprando produtos piratas você pode estar ajudando a financiar o crime organizado.

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Software Antipirataria (19/04/2002)

A IBM liberou nesta semana uma nova versão de seu software antipirataria, que impede a cópia e a troca de arquivos digitais. Trata-se da mais recente tentativa da companhia para acalmar os advogados que desejam que as empresas se preocupem com as questões de direitos autorais e encarem a regulamentação de proteção contra cópias. O Electronic Media Management System 2, ou EMMS 2, bloqueia o conteúdo, permitindo que apenas os que possuam chaves digitais de autorização tenham acesso a ele. A IBM afirma que o EMMS 2 pode limitar ou impedir a cópia de conteúdo digital em mídias regraváveis e pode restringir a capacidade dos usuários de levar o conteúdo de uma dispositivo eletrônico para outro.

A tecnologia EMMS 2, em desenvolvimento há cinco anos, estará disponível para os desenvolvedores a partir de 30 de abril de 2002.